Paisagens Sonoras

Curso : Paisagens Sonoras
Jaen, Abril 2014

This slideshow requires JavaScript.

 

O objetivo da minha inscrição no curso suprarreferido, sendo professora de línguas, prende-se com a importância que atribuo ao conhecimento de diversas manifestações artísticas, na medida em que estas se representam como um valor acrescentado inestimável e indelével na aprendizagem integrada e integradora das línguas, quer se trate da língua materna quer da segunda ou terceira língua. Só se compreende o que se conhece e não é impunemente que desde os anos sessenta se tem vindo a chamar a atenção para a importância da imersão sociocultural em qualquer processo de aprendizagem. Investigadores da área da pedagogia e da didática como J.M.Caré e F. Debyser, desde a década de setenta, patenteiam ao seu público vários trabalhos dos quais emergem pontos de confluência entre jogo, linguagem e criatividade1. Mais recentemente, a APPF apresentou um projeto 2 àsescolas subordinado ao título “La Chanson en scène II ” através do qual se pretende um ensino/aprendizagem mais motivante da língua estrangeira, neste caso do francês, aliando a música, a encenação, a dramatização na recriação de uma canção previamente trabalhada ao nível linguístico e sonoro. Esta abordagem tem a pretensão de ser um trabalho interdisciplinar. A motivação dos professores e a criação de condições de adesão dos alunos a esta perspetiva interdisciplinar e artística que favorece a formação global de qualquer sujeito aprendente surge como uma das vertentes inovadoras do projeto. Para tanto, porém, no meu entender os docentes devem, previamente, experimentar eles próprios as vivências que pretendem desencadear nos alunos. A entidade promotora do projeto reconhece “ Au Portugal, l’éducation artistique ne bénéficie pas d’orientations fortes au niveau ministériel et de ce fait, elle souffre d’une faible place dans le parcours scolaire. Ce projet se propose de renforcer la place de l’éducation artistique à travers une approche pédagogique interdisciplinaire et de contribuer à la formation globale des apprenants ainsi qu’au développement de compétences transversales (sociales, citoyennes, autonomie…) et spécifiques dans le domaine de la communication en français par le biais d’activités d’interaction artistique dans des contextes d’apprentissage déclencheurs de créativité et de plaisir d’apprendre.» ( o sublinhado é nosso). Não me foi possível aderir ao projeto em questão, uma vez que a formação que o mesmo implicava decorria em Lisboa, deslocação impossível de levar a efeito, tendo em conta os constrangimentos inerentes à atividade profissional em contexto de estabelecimento escolar formal público.

A formação facultada pelo curso da APECV/Centro de Formação Almada Negreiros, por ter sido proposta para a época de pausa das atividades letivas apresentou-se como um valor acrescentado para a minha formação, vindo de encontro aos meus interesses pessoais e profissionais.

O curso em apreço superou as minhas expetativas por diversos motivos:

– o enquadramento dos professores da APECV, o acolhimento excelente por parte dos docentes da Universidade de Jaén e do Colegio Público de Educación Primária Alcalá Vencislada;

– a qualidade dos projetos apresentados. Destaco aquele cujo objetivo consiste na reabilitação da memória de espaços públicos; o da recriação de um pátio tradicional de uma escola dos anos 50 em que os alunos recriam, através de processos diversos, os jogos tradicionais dessa época.

– a interação profícua, afável e amiga, estabelecida entre todos os participantes, portugueses do norte, do centro e do sul e espanhóis;

– as derivas sonoras e périplos pela cidade de Jaén, castelo de Santa Catalina e arredores que me permitiram compreender melhor toda uma cultura e uma história que, embora semelhante à nossa, não deixou de me espantar em muitos aspetos. A talhe de foice refiro, apenas, o quão fiquei surpreendida pelas manifestações de religiosidade relacionadas com a Semana Santa, que se me afiguraram muito mais expressivas do que no próprio Alto Minho, região onde vivo. Em Jaén encontrei ecos de Edith Piaf, na voz de Jolís, do General De Gaule no “Parador” do castelo e das invasões napoleónicas, neste último.. E só me vinha à memória uma frase batida, se é verdade que quem não conhece a sua história está condenado a repeti-la, quem a conhece, com ela se poderá reconciliar, recriando-a, transfigurando-a.

– a visita ao museu de Jaén e mais concretamente à exposição coletiva “ Sedimentos” e o testemunho de Monika Ruhle a propósito do vídeo “ Las visiones de Hildegarda” . E eis que são ecos de Saramago e do Ensaio sobre a cegueira os chamados à colação;

– a dádiva dos “ take Action” da Angela Saldanha, o início da realização de uma manta artesanal coletiva, a ida à casa do artista Jose Antonio Sotto , as comunicações, na Universidade de Jaén, dos projetos em curso, a visita ao Colégio Alcalá da Venceslada onde pudemos ver in loco o trabalho de professores e alunos, a vários níveis e a materialização do projeto das paisagens sonoras em que participaram os alunos da universidade de Jaén.

Em síntese: este curso proporcionou momentos de aprendizagem e partilha únicos e inolvidáveis.

Bem haja a todos aqueles que contribuíram para o êxito do mesmo.

Recursos:

http://soundscapesart.blogspot.com.es/p/c.html

http://www.mydocumenta.com/index.php?proyecto_token=9B1443063C34BD21348981EE7B17B054

http://www.mydocumenta.com/index.php?proyecto_token=9B1443063C34BD21348981EE7B17B054

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s