Author: apecv

Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual -APECV (http://www.apecv.pt)

LUDANTIA

Un espacio de debate y propuestas que nace de los Encuentros Internacionales “Playgrounds”

Fonte: LUDANTIA

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‘O sonho acordado é das coisas mais bonitas que o homem tem’,

 

 

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Todos os anos a APECV realiza um concurso nacional para todas as  escolas do território nacional , o concurso deste ano tem o tema : ‘O sonho acordado é das coisas mais bonitas que o homem tem’, um frase  que o  mestre Cruzeiro Seixas disse numa entrevista à Time Out . O concurso da APECV pretende expandir alguns processos de criação e de expressão através das artes visuais e multimédia e promover o conhecimento da obra de artistas portugueses. Este ano letivo convidámos os professores, educadores, crianças e jovens a descobrir a obra do mestre Cruzeiro Seixas. Escolhemos esta frase do mestre para nos relembrar da necessidade de sonhar, de ir para além do visível, de transpor as fronteiras da realidade, de questionar factos e histórias, de ousar ir mais longe na experimentação, na curiosidade e na poesia , processos tão importantes tanto na educação como na arte. Recebemos cerca de  348 trabalhos  de alunos de 34  Escolas/ Agrupamentos.   Os suportes utilizados foram variadíssimos. Bidimensionais, tridimensionais e digitais.   Todos os trabalhos estão expostos na Quinta da Cruz, em  Viseu, e  a exposição pode ser visitada até ao dia 5 de  Junho de 2016. A cerimónia de entrega dos Prémios, que são patrocinados pela STAETLER , será  no dia 7  de Maio pelas 11.30h no auditório da Quinta da Cruz

Ver Lista de Premiados do concurso 16

 

 

 

 

 

 

Curso de Educação artística Galaico- Português em Melgaço. 5-7 Dezembro 2014

ver Programa : melgaco14

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Nos dias 5, 6 e 7 de Dezembro realizou-se, em Melgaço, o curso de formação de professores subordinado ao título “ Configurando o mapa contemporâneo – Pontes Educativas – Cultura local –Cultura global” promovido pelo Centro de Formação de Professores Almada Negreiros e APECV em parceria com as instituições Agrupamento de Escolas de Melgaço e Câmara Municipal de Melgaço.

Durante três dias, os participantes, oriundos de várias regiões : Lisboa, Porto, Coimbra, Viseu, Coruña, Santiago de Compostela, Ceará (Brasil), experimentaram estratégias educacionais baseadas em processos de arte contemporânea, processos que ajudam a questionar , a procurar conhecimento e a exprimir ideias , opiniões e sentimentos através de linguagens artísticas e, que promovem actividades de aprendizagem colaborativa e metodologias de projecto criativo.

 

 

 

Nos laboratórios exploraram-se dinâmicas de relacionamento através da fotografia e performance; conceitos de jogo e aprendizagem a partir do desenho e movimento; aprofundou-se o conceito de mapas mentais como ferramenta ddidáctica Experimentaram-se os recursos da realidade aumentada com smartfones como uma ferramenta actual que pode motivar as crianças e dos jovens para a aprendizagem nas diferentes disciplinas escolares.

Na opinião dos participantes a proposta do curso foi uma oportunidade única pois que trazia processos da educação pela arte que podiam ser aplicados por todos os professores, despoletou muita criatividade e trouxe ideias e conhecimentos novos relevantes para a prática pedagógica.

 

MAPAS DE LISBOA: PONTES EDUCATIVAS CULTURA LOCAL/CULTURA GLOBAL

Descobrir Lisboa ,  pela ‘Derive’, conversando, cartografando , um modelo de aprendizagem para quem quiser experimentar  métodos alternativos de aprendizagem  do lugar , das histórias, das gentes , dos patrimónios e das artes .

 

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Descobrir as estórias  de Lisboa , a partir do último cabalista , ruas da  Graça , de Alfama e da Mouraria.  Conhecer os chafarizes , ouvir a`água, sentir os odores, a brisa , partilhar contos, fábulas , estórias e histórias.  Experimentar uma pedagogia diferente

 

Relatório da  Conceição  sobre o curso 

Mapa da Carmen e da Ana

Projecto de Trabalho a partir do curso  ( Madalena e Pedro) 

Rota dos Chafarizes de Lisboa
Célia Cameira Santos
Conceição Pereira Nunes
Paulo Simões Nunes

Projecto de Trabalho da Helena 

http://www.apecv.pt/formacao/chafarizeshelena.pdf

Lisboa esquecida, Lisboa recordada, Lisboa vivida, Lisboa amada

Fado. O Fado num Museu. Dá vontade de entrar…mas um olhar rápido sobre os ponteiros do relógio acusa o meu atraso. Já devem estar à minha espera. Refresco-me no chafariz, passando a mão molhada pela testa. A Rua dos Remédios parece-me tão cheia, as fitas coloridas dependuradas nas janelas, que serpenteiam ondulantes Regueira acima. Rostos atarefados de homens e mulheres cruzam-se na azáfama do fim de tarde. “A minha sardinha é linda!”.Oiço vozes alteradas, gritos talvez. Será que é a mim que procuram? Ter-me-ão descoberto, apesar de todo o esforço para permanecer no anonimato? O medo assola-me. Tenho que me esconder, quiçá fugir, até ter a certeza da segurança. Atravesso a passo apressado o Largo de S. Miguel e percorro a Calçadinha de Santo Estevão, primeiro mártir de Nosso Senhor…Será esse também o meu destino? O martírio? As vozes de novo, os gritos talvez. O que quererão? Quem procuram? Sustenho a respiração na esquina da Rua de Santo Estevão ao Beco do Carneiro. Olho para o alto, em busca de auxílio. Na janela de cortina rendada, o gato espreguiça-se molengão, alheio ao meu drama. Peço ao gato “shiu”, para não me denunciar. Já não oiço brados, ninguém se revela. Apenas o murmúrio da água das fontes chega aos meus ouvidos. De onde virá? Já molhava de novo a fronte. De fôlego refeito, esgueiro-me pelo Beco dos Cativos. Será essa também a minha sorte? O cativeiro às mãos de um qualquer carrasco? Apresso o passo, não há tempo a perder. Rua de São Miguel (mas não passei já por aqui?), de São Pedro até ao Largo das Alcaçarias. Que labirinto! Valha-me Santo António Na Rua do Terreiro do Trigo, a roupa branca estendida faz-me desejar possuir também eu um estandarte da paz, para acenar aos meus perseguidores e acabar de vez com este sufoco. Cordas e cordas de roupa…três corpetes, um avental, sete fronhas e um lençol que a freguesa deu ao rol. Cordas que imagino já em volta dos meus pulsos e tornozelos. Fujo e deixo a fadista entregue aos gemidos da guitarra portuguesa no largo de São Rafael. Pela Rua das Judiarias, a minha agitação é tanta que tropeço nos próprios pés e me deixo cair de mãos no chão. Reparo agora nos fosseis embutidos no basalto escuro do chão, testemunhas seculares de tantas aventuras e desventuras. Distraio-me com a sua geometria rigorosa…de novo as vozes a vociferar, já me detetaram outra vez. Levanto-me, e num ápice percorro a da Adiça, galgo a Calçadinha da Figueira, Rua Norberto Araújo acima. Chego às Portas do Sol, onde o sol já se põe. Avisto o Panteão, onde Sophia descansa. Ah, quem me dera descansar já também! Mas não. Não me demoro, que São Vicente já me olha em jeito de aviso. Pela Travessa de Santa Luzia chego ao Largo do Contador Mor. Cai a noite na cidade, na Lisboa de outras eras. A buganvília da Rua das Damas esconde a lua pálida que se revela em quarto crescente. Sento-me um pouco e reflito. Estou na Rua do Milagre de Santo António. Haverá hoje para mim um milagre também? Valha-me Santo António, se escapo aos que me perseguem! Em frente ao Chapitô, esse espaço de mil caras onde tudo é possível, descubro o olhar da Piaf. Tal como ela, je ne regrette rien de rien. Mais uns passos e chego ao Largo de São Cristóvão. Até quando me escondo? As vozes aumentam de volume, o som de mil passos aproxima-se. Terá chegado a hora? Será que, tal como aquela casa, poderei resistir ao terramoto? No Largo da Achada penso ter chegado o meu fim…No entanto, que gente é aquela? Uma rapariga sacode as formigas das pernas enquanto grita. Era esta a razão do meu pavor, uma peregrinação de amantes da minha cidade? Confundi as suas vozes animadas, os seus passos tumultuosos e as palmadas daquela rapariga com os meus perseguidores de outrora. Tudo não passou de um susto, memórias de outros tempos em que fugia e me escondia. Posso respirar. Um minuto de silêncio e recomponho-me. O cheiro da carne na brasa abre-me o apetite. Posso cear. O martírio, o cativeiro, não era esse afinal o meu fado.

Madalena Boléo

Pedro Ferreira

Julho 2014